Às vezes a nossa voz não chega. Assim como o nosso esforço é insuficiente. E a nossa força é pequena. Às vezes precisamos de ouvir outra voz, precisamos que alguém sublinhe o nosso esforço, alguém que nos dê força. Porque sozinhos nunca seremos capazes de enfrentar o mundo, nem de compensar a fragilidade do que nos rodeia. Somos tão frágeis que às vezes penso que nos podemos desfragmentar em sentimentos, mágoas e feridas, que podemos existir sem corpo, que às vezes esse substrato nos alimenta e esmaga tudo o resto que possa existir. Às vezes penso que só existe dor, sofrimento, morte e que tudo o resto é fé. Tudo o resto são ilusões que mantêm acessa a luz ao fundo do túnel.

( Parabéns V.! E obrigado por todas as nossas conversas apetecíveis…)

Há algo de errado com as pessoas que me rodeiam, com as pessoas no geral. Falta-lhes qualquer coisa, talvez seja responsabilidade. Ou respeito não sei. Começo a passar os meus limites, que me parecem muito baixos neste momento. What’s wrong with you people? Será que não se encaixam na sociedade, não se conseguem moldar às outras pessoas? Ninguém assume, ninguém cede, ninguém se interessa. Ou saem ou entram. Ou se encaixam ou saem. Quando estamos numa coisa temos de estar lá inteiros. Não podem haver meios-termos, ou somos ou não somos. Saiam da sombra e mostrem-se de uma vez, mostrem do são capazes, surpreendam-me. Surpreendam-se.

Fuck, this made me cry…

Foda-se.

é a única coisa que me apetece dizer depois disto.

Mas só porque senti que ficou alguma coisa por dizer, só porque tive pena de não te despedires de mim e de não fingires que vais continuar na minha vida daqui para a frente. Apenas porque senti algo estranho e diferente dentro de mim, algo que transcende e anula qualquer tentativa de fugir do amor. (por que razão mencionei esta palavra?) O que se faz agora? Qual é a fase seguinte? Não sair de casa nos próximos meses?

E se amanhã saísse à rua e me pusesse a gritar desmesuradamente? Será que alguém se juntava a mim? E se calçasse um sapato de cada cor, será que a moda pegava? Até que ponto influenciamos as pessoas? Até que ponto não comandamos, inconscientemente, o mundo, ou a realidade que nos rodeia? Seremos protagonistas de alguma coisa ou somos eternos espectadores de costumes, tradições, padrões? Até que ponto conseguimos fazer mudar alguma coisa? Quando é que nos vamos conseguir libertar de todas as amarras e sermos nós próprios, impondo a nossa personalidade e irreverência, sem medos? O homem deve impor o que é aos outros, e não ser submisso ao que os outros querem que seja. Mas não sofremos todos de um secreto receio de sermos expulsos de uma sociedade que nós próprios inventámos? Não é por isso que tendemos a imitar em vez de pensar? Algumas questões existenciais, algumas provavelmente sem resposta…

Às vezes penso que não sou capaz de amar. Penso que sou simplesmente avessa a afectos profundos. Não gosto de me entregar. Penso sobretudo que sendo absolutamente impossível conhecer alguém na sua totalidade, nunca a poderemos amar por completo, logo não existindo um amor contínuo, poderemos ainda assim pensá-lo como tal? Poderemos, se nos pertencer e invadir um pequeno amor, esperar que ele se torne inteiro, verdadeiro, eterno? Valerá a pena? ( É sempre nessa espera que desisto. É uma incerteza, uma dúvida constante, uma realidade irreal, que parece existir apenas no nosso ideal. Penso que é assim que defino o amor. Um ideal de felicidade que se anuncia nos livros e filmes, mas que somos fracos demais para admitir que não passa de um conceito vão.) E além disso, aborrece-me a sedução, é sempre tão previsível, tão vulgar. Aborrece-me ter de explicar o que sou, partilhar a minha vida, dividir-me em dois. Eu sou egoísta, gosto de ficar com o melhor de mim. E quando o descobrem, sinto-me vazia, sinto que mostrei ser uma pessoa melhor do que realmente sou, sinto que estou a enganar, e no entanto, tenho vergonha de mostrar o pior de mim. E é por esta incapacidade de mostrarmos quem realmente somos, por pura cobardia, que não acredito no amor, na honestidade, nas promessas, na verdade. Acredito sim que precisamos das pessoas, de nos relacionarmos de várias formas com elas, precisamos de estímulos, precisamos de viver, precisamos de feed-back’s, de opiniões, de elogios, de críticas, de discussões, de longas conversas, de contacto, proximidade, de evolução, de sexo, mas não tenho a certeza se precisamos de amor. Pelo menos desse amor. O que toda a gente quer.

- Olha…, Diz, apontando timidamente para a minha cara.
- O que é?, Respondo meia indiferente, meia confusa.
- Tens uma lágrima preta, a cair…, Constatou, preocupado.

Entreolhámo-nos os três, primeiro a medo, respeitando o ambiente que nos últimos minutos se havia tornado pesado e tenso, e depois rimo-nos, cautelosamento, como se algo nos tivesse libertado daquele peso. E logo surgiram as banalidades, a conversa de circunstância, como se não existissem palavras que respondessem ao que eu sentia, como se nada pudesse anular a minha dor. E mesmo assim, fingi que era aquela a realidade e acreditei que estava tudo bem. As banalidades fazem-nos sentir em casa.

Quando me disserem que estou ótima sem pê, acho que me vou sentir menos ótima que antes… esta coisa do acordo entristece-me um pouco, sempre achei a nossa língua tão completa e correcta, tão apaixonante, e agora vão depenar palavras que já conheço há tantos anos, despi-las assim de pês, cês, acentos, pô-las mais simples, mais genuínas… mas por que raio não me sinto contente com isso? se calhar é porque sou complicada e gosto das coisas assim.


São as pequenas coisas. São elas que nos vão puxando prá frente e fazendo-nos pensar ‘Eh pá, afinal vale a pena!’. É um cão preto à beira da estrada, completamente petrificado, com o olhar pregado no pôr-do-sol (isto foi o que eu pensei, se calhar estava a pensar na vida e nem estava a ver nada). Mas era uma luz muito intensa e branca, a querer saltar das costas das nuvens, é natural que tenha reparado. E depois ouvir uma música nova, que desconhecia por completo, de um jazz muito fresco e bom, a saber a tiramisú, com um refrão giro que dizia ‘dance me to the end of love’. E eu gostei daquilo, queria mais. E dias destes, que correm bem, que fazem sentido, em que tudo parece valer a pena, em que acordo com vontade de aproveitar cada minuto, não importa como, o que importa é ser, estar, sair, ver, sonhar, entrar, abrir, fechar, correr, chegar, existir, sempre, sem parar.

Ele voa mesmo sem mim. Não te iludas. Não valho grande coisa. Procura alguém que te permita as ilusões, os sentimentos vãos, as palavras sem razão. Eu não sou essa pessoa, não vale a pena. Deixa-me neste eterno refúgio, sozinha. Faz-me o favor de pensares o pior de mim. O pior do pior.

(a eterna questão existencial- realidade ou ficção?)

A vida às vezes não é mais do que preencher o vazio. Preencher o tempo com compromissos, talvez para fugir à humilhante solidão. Preencher o espaço, com móveis, quadros, flores, talvez para nos sentirmos em casa. Ainda que a nossa casa seja o espírito, a alma, a memória de tudo o que foi importante. (Quando adormecemos não o fazemos sobre a almofada, mas sobre a vida. E por vezes a almofada magoa e mudamos de posição, à procura de uma posição mais confortável que nos permita finalmente adormecer. Ou será que nos viramos para o outro lado, à espera de aí encontrarmos a resposta para as questões insolúveis da vida?) Viver não é mais do que preencher o vazio. Um vazio do qual não conhecemos o início nem o fim. Logo não sabemos por onde começar a preenchê-lo, o que torna essa tarefa um desafio constante. Um vazio que nos acompanha desde o primeiro ao último dia das nossas vidas, pela simples razão de não sabermos como expulsá-lo de nós. Como um tumor incurável, que aos poucos se espalha, cruelmente, pelo corpo. (Por muito que eu ame ou que tu rezes, ele não se vai embora. Encontrou a casa ideal: uma carne fraca e um coração mole.) Não há como fugir, vejo-o nas ruas, no olhar de quem passa por mim, no caminhar errante dos reformados, na voz arrogante dos pedintes. Há um vazio em todos nós, que nos faz ser quem somos. Na impossibilidade de o abater, só podemos domesticá-lo. Vivendo. Preenchendo-o aos poucos. Matando-o por fim.

Discurso dos homens calados

Servirá de alguma coisa escrever
sobre as coisas? Falar, explicar
argumentar, inventar teorias da
conspiração, da razão, do coração,
manias dos homens de agora, lançar
a confusão por tudo e por nada.

Não valerá mais a pena o silêncio?,
emudecer, calar, consentir, dizer
sempre que sim, sim senhor,
sim senhora, aceitar, não refilar,
deixá-los a eles falar,
eles que se enterrem, que se entesem,
que se fodam.

Que por dentro somos maiores, muito
maiores, do que eles. Que às vezes
a maior coragem é daquele que se cala
que desiste. As convicções são dos
parvos. E nós temos os sonhos, o amor,
a canção.
Não confundir com espírito cagão.

Que nós somos mais, muito mais do que eles
pensam. Por dentro fervilhamos de emoções
que eles desconhecem, pobrezinhos. Somos
de almas boas, genuínas e tacanhas, mas
muito mais humanas, muito mais humanas
que as almas desses cães que ladram
inofensivos. Espíritos corrosivos como os
ácidos e os anidridos.

M.V.

quem me dera que as coisas fossem mais simples. que todas as pessoas fossem mais simples. que os (res)sentimentos fossem simples. que perdoar fosse simples. tão simples como misturar chocolate no leite. como desapertar um botão. como magoar alguém. quem me dera que me conseguisses ouvir dentro de ti, sem ser preciso falar. sempre pensei que aquelas pessoas que realmente se amam, se entendem apenas com o olhar, dispensando as palavras, afinal tão ambíguas e traiçoeiras. e cruéis, sobretudo, cruéis. usar as palavras para expressarmos tudo o que sentimos é um erro, só devemos dizer o que é, verdadeiramente, importante. o silêncio é preferível ao som repetitivo de palavras vazias. preciso do silêncio para me ouvir a mim mesma. dispenso obviamente palavras vazias, chego a fugir delas a sete pés. as palavras perderam a piada. preferia um abraço forte.

_ As pessoas são horríveis.
_ As pessoas são como as moléculas, só reagem se tiverem algo a ganhar com isso.

quando uma pessoa nos faz desistir de nós, devemos desistir dela (?)

há tanta coisa do lado de fora do nosso mundo, que às vezes ignoramos indiferentes. tanta coisa à qual devíamos atribuir mais importância. tanta coisa que devíamos reparar e em vez disso, viramos a cara e fugimos. o que sabemos fazer melhor é fugir. se calhar quando fugimos, nem é dessas coisas, mas sim de nós. queixamo-nos de tudo e mais alguma coisa, invejamos os outros, somos egoístas, hipócritas, cruéis. e porquê? porque é mais fácil. é mais fácil descarregar as frustrações na pessoa mais próxima, do que resolver o problema que nos atormenta. é mais fácil ignorar os problemas dos outros, quando estamos de bem com a vida. é mais fácil fugir, do que ficar. o que é difícil é dar a mão a quem precisa de nós. o que é difícil é ser humano. é difícil amar. é difícil dar. é mais fácil olhar do que ver.


há qualquer coisa que me corrói hoje por dentro, deve ser a vergonha de pertencer a um mundo como este.

Estou viciada em Gotan Project. Tango. Tango. Tango. Tão bom.

(Obrigado J.!)

afinal, ele continua o mesmo. e ela pensa que ainda existe um espacinho no seu coração que nunca foi preenchido por mais ninguém. porque aquele espacinho era dele. foi ele que o conquistou, portanto pertencia-lhe. e porque lhe pertencia, levou o pedacinho com ele, quando se foi embora. mas agora, ela viu que ele ainda era o mesmo e quer o pedacinho de volta. ou então o coração dele.

agora vejo que as coisas que um dia foram verdadeiras, grandes e perfeitas, nunca deixam de o ser, mesmo quando têm um fim. e nada, mas mesmo nada, vai suplantar o que um dia foi eterno. as coisas efémeras também são eternas. assim como as eternas são, às vezes, efémeras. e o que se diz não é o que se sente e o que se sente não é o que se diz. raramente as coisas são como são. e raramente basta um dicionário à mão, para decifrar essas coisas.

Ver um futuro onde antes só via o fim. Ressuscitar a Joana, que prometia morrer mal casada. Fazer o Ernesto voltar a sonhar. Traçar o destino de alguém parece-me a melhor coisa do mundo. Por agora.

por enquanto deixa-me estar. deixa-me estar aqui, sozinha. preciso disso para compreender o mundo, para me voltar a encaixar nele, como dantes. preciso de perceber se esta luz tímida que aqui entra, se vai embora. há coisas que mais ninguém entenderá. sem ilusões. preciso de uns minutos, de umas horas, vou chorar, sim, talvez chore, há que sentir a dor para a ultrapassarmos. amanhã. procura-me amanhã e falaremos. dir-te-ei o quanto te prezo, o quanto te estimo, o quanto te amo. e o meu orgulho dir-te-á que me destróis, que me matas de amor. a minha boca dir-te-á que preciso de ti. a minha fantasia dir-te-á que é assim que eu gosto.

Ela adora tragédias, sendo-lhe difícil optar por um final feliz. Pelas suas mãos inocentes, já se contam três mortes.

Não há nada como o cheirinho de um peixe assado no forno.

Felizmente recomeçou o Quem Quer Ser Milionário. Fascina-me este tipo de programas. Não sei se é por gostar de aprender coisas novas ou por ver pessoas a ganharem dinheiro. Penso que, progressivamente, vamos criando pessoas mais cultas, informadas, interessadas, e com mais alguns euros na carteira. E isso é óptimo. Venham mais.

Heath Ledger 1979-2008 :(