- Olha…, Diz, apontando timidamente para a minha cara.
- O que é?, Respondo meia indiferente, meia confusa.
- Tens uma lágrima preta, a cair…, Constatou, preocupado.

Entreolhámo-nos os três, primeiro a medo, respeitando o ambiente que nos últimos minutos se havia tornado pesado e tenso, e depois rimo-nos, cautelosamento, como se algo nos tivesse libertado daquele peso. E logo surgiram as banalidades, a conversa de circunstância, como se não existissem palavras que respondessem ao que eu sentia, como se nada pudesse anular a minha dor. E mesmo assim, fingi que era aquela a realidade e acreditei que estava tudo bem. As banalidades fazem-nos sentir em casa.

Publicado em: on Maio 15, 2008 at 10:22 pm Comentários (5)

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5 Comentários Leave a comment.

  1. retiram os focos de luz dos pontos incómodos

  2. Parei 1/2 hora para pensar no que disseste e como disseste…um momento que se torna tão claro…torna-se Belo.

  3. Angela, é verdade, penso que é mesmo isso que acontece. *

    Dário, obrigado, nem sei o que dizer. É interessante, como as coisas que escrevemos suscitam reflexões alheias, penso que é sinal que vale sempre a pena escrever. Vai passando por cá :P *

  4. Se é verdade ! E é com o abstrair que voltamos a rir, voltamos a ser felizes e pomos de lado tudo aquilo que nos estava a dar vontade de chorar …

  5. É isso mesmo Katynha! *


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