
- Olha…, Diz, apontando timidamente para a minha cara.
- O que é?, Respondo meia indiferente, meia confusa.
- Tens uma lágrima preta, a cair…, Constatou, preocupado.
Entreolhámo-nos os três, primeiro a medo, respeitando o ambiente que nos últimos minutos se havia tornado pesado e tenso, e depois rimo-nos, cautelosamento, como se algo nos tivesse libertado daquele peso. E logo surgiram as banalidades, a conversa de circunstância, como se não existissem palavras que respondessem ao que eu sentia, como se nada pudesse anular a minha dor. E mesmo assim, fingi que era aquela a realidade e acreditei que estava tudo bem. As banalidades fazem-nos sentir em casa.
retiram os focos de luz dos pontos incómodos
Parei 1/2 hora para pensar no que disseste e como disseste…um momento que se torna tão claro…torna-se Belo.
Angela, é verdade, penso que é mesmo isso que acontece. *
Dário, obrigado, nem sei o que dizer. É interessante, como as coisas que escrevemos suscitam reflexões alheias, penso que é sinal que vale sempre a pena escrever. Vai passando por cá
*
Se é verdade ! E é com o abstrair que voltamos a rir, voltamos a ser felizes e pomos de lado tudo aquilo que nos estava a dar vontade de chorar …
É isso mesmo Katynha! *